LAGOA
RISK RADAR

CADERNO DO PROJECTO · 02 / MÉTODO

Quatro camadas. Uma decisão explicável.

A metodologia proposta separa quatro camadas de evidência antes de sugerir uma prioridade de verificação: estado oficial, pressão ambiental, anomalia observada e confiança. As regras, os limiares e a sua utilidade ainda precisam de ser construídos e validados durante o desafio.

Por Rafael Constantino BugiaActualização editorial · PROPOSTA EM PREPARAÇÃO

01

O que significa cada camada?

Estado oficial é o conteúdo publicado pela entidade competente, com o seu âmbito e validade. Pressão ambiental é contexto físico que pode justificar atenção. Anomalia observada é uma diferença identificada numa observação comparável. Confiança descreve a qualidade e as lacunas da informação disponível.

Estas categorias não devem ser somadas como se fossem medições equivalentes. Uma previsão pode estar correctamente produzida e ainda assim ser pouco representativa de uma zona da lagoa. Uma observação local pode ser recente e não permitir generalizar para o conjunto do sistema.

  • OFICIAL: preservar a decisão, a entidade, a zona e o momento da publicação.
  • OBSERVADO: indicar o instrumento ou método e o momento da observação.
  • PREVISÃO: mostrar emissão, horizonte e área de aplicação.
  • DERIVADO: explicar a transformação e citar os dados de entrada.
  • SEM DADOS: identificar a lacuna e o que ela impede concluir.
  • EXPERIMENTAL: assinalar métodos e interfaces ainda em teste.

02

O contrato mínimo de cada cartão de dados.

Cada cartão ambiental deverá permitir voltar à origem da afirmação. A actualização da interface não deve ser confundida com a actualização da fonte. Recolher um comunicado antigo hoje não o transforma em informação actual.

  • Fonte e ligação para o documento ou produto original.
  • Data e hora da observação; emissão e validade quando se trata de uma previsão.
  • Zona, cobertura e resolução espacial e temporal.
  • Estatuto: oficial, observado, previsão, derivado ou sem dados.
  • Confiança, com uma justificação em linguagem clara.
  • Versão, licença e transformações aplicadas, quando disponíveis.

03

Um nível de atenção não é uma probabilidade sanitária.

Verde, amarelo, laranja e vermelho são rótulos possíveis para uma atenção operacional explicável. Não são classes sanitárias, permissões ou percentagens de contaminação. A escala ainda não tem regras validadas e não é atribuída a uma zona real nesta página.

A explicação deverá responder: que evidências contribuíram, quais estão em falta, que regra foi aplicada e qual a próxima verificação recomendada. Quando os dados não sustentam uma classificação, a resposta é “Dados insuficientes”, acompanhada das lacunas.

O estado oficial permanece separado e prevalece no seu âmbito. Um eventual indicador verde nunca poderá apagar uma interdição, sugerir autorização ou transformar ausência de observações em normalidade.

04

Como lidar com evidências incompletas?

Exemplo conceptual — não representa dados actuais. Imaginemos que existe uma previsão meteorológica, mas a imagem de satélite está coberta por nuvens e o comunicado oficial ainda não foi consultado.

A interface deverá mostrar “previsão disponível”, “observação indisponível” e “estado oficial por verificar”. Não deverá preencher os espaços vazios com um estado favorável. A próxima tarefa é consultar a fonte oficial e procurar uma observação adequada; não emitir uma conclusão sanitária.

05

Usar cada produto à escala que consegue representar.

O Copernicus Marine disponibiliza informação sobre o oceano global e mares regionais. No nosso desenho, é uma fonte candidata para contexto oceânico exterior. A adequação exige verificar a ficha de cada produto, a grelha e a cobertura; não basta o nome do serviço.

Uma grelha oceânica demasiado grosseira não representa em detalhe o interior da lagoa. O Sentinel-2 pode acrescentar observação visual local, com limitações ópticas e de disponibilidade. Nenhuma destas fontes dispensa validação científica no território.

06

O que falta testar antes de confiar no protótipo?

O plano é começar com fontes reais ou snapshots documentados e uma geografia correcta. Depois, testar se um utilizador consegue distinguir um facto, uma previsão e uma inferência, identificar uma lacuna e encontrar a origem da informação.

As regras de atenção precisam de revisão por especialistas de domínio. A automação pode organizar fontes e detectar inconsistências; a IA não deve preencher lacunas com conclusões inventadas. Resultados, limitações e alterações ao método serão documentados depois do hackathon.

  • Casos com dados antigos, contraditórios ou ausentes.
  • Coerência entre o mapa, o cartão e o documento de origem.
  • Explicações compreensíveis sem depender apenas de cores.
  • Remoção de afirmações que não resistam à validação científica.

RESPOSTAS DIRECTAS

Perguntas frequentes.

A metodologia já foi validada cientificamente?

Ainda não. Esta é a proposta de trabalho do desafio PEN02. A equipa e a validação científica estão em preparação; não apresentamos uma instituição como revisora ou certificadora.

Porque usar 72 horas?

É a janela escolhida para formular uma pergunta operacional sobre monitorização. Não é um prazo garantido de previsão ou de disponibilidade de todas as fontes.

Qual é o papel da inteligência artificial?

A IA pode ajudar a organizar, resumir ou procurar padrões com proveniência verificável. O projecto é principalmente de domínio ambiental, dados, geoespacial e apoio à decisão humana.

Uma página aberta à correcção.

Enquadramento editorial do projecto; não constitui revisão científica independente. Se identificares uma imprecisão ou tiveres uma fonte relevante, contacta o responsável pelo projecto.

OCEAN HACKATHON® PENICHE 2026 / PEN02

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